Para elas – Ele não te bate, mas

Ele não te bate, mas controla teu dinheiro, tuas contas, teus gastos, teus passos. Ele não te bate, mas decide qual roupa é, ou não, de “mulher decente” – tira esse batom vermelho, cobre esse decote! Ele não te bate, mas te faz acreditar que você é a culpada de todas as brigas – e que está “enlouquecendo” por brigar por tal “bobagem”.

Ele não te bate, mas te ridiculariza pros amigos na tua ausência. Ele não te bate, mas não te respeita nas conversas paralelas com outras mulheres. Ele não te bate, mas troca telefone com outras mulheres pelas tuas costas. Ele não te bate, mas diz que você deveria emagrecer, cortar o cabelo, pintar a unha.

Ele não te bate, mas diz que você deveria ser menos maluca, menos histérica, menos vadia, menos escandalosa. Ele não te bate, mas diz que você deveria agradecê-lo por não te bater! Ele não te bate, mas quem disse que a única pancada que dói é aquela que sentimos na pele e nos ossos?!

Existem milhares de maneiras de cometer violência sem que seja necessário o atrito físico. Dentre as cinco grandes e principais causas que suscitam em depressão nas mulheres, estão os relacionamentos amorosos e a chantagem emocional.

Ele não te agride fisicamente, mas desqualifica todas as suas qualidades, te fazendo sentir incompleta, inútil, não suficiente. Ele não te agride, mas se considera melhor que você em praticamente todos os âmbitos da vida.

Ele não te bate, mas não valoriza seu trabalho e ofício. Ele não te bate, mas te desmoraliza diante de suas agruras. Ele não te bate, mas diminui seu sofrimento diante de suas tristezas. Não te bate, mas não respeita teu período.

Não te bate, mas não respeita tuas individualidades, e sempre deixa claro o quanto gostaria que você mudasse certos trejeitos e atitudes. Não te bate, mas reclama sobre teu limite sexual e insinua o quanto as outras mulheres são menos frígidas. Não bate, mas adora te contar boas histórias sobre a ex namorada – tão bonita, bacana, siliconada, modelo.

Quantas dessas desagradáveis situações você já vivenciou? Quantas pessoas passaram por sua vida e deixaram marcas invisíveis de um abuso que é normalizado e tratado como histeria banal, dia após dia? Quantas vezes você disse sim, quando teu coração gostaria de dizer não, apenas para agradar a outra pessoa? Quantas vezes pegou-se numa situação abusiva, mas não sentiu que tinha coragem o suficiente para se libertar?

Os tempos desastrosos são, inexoravelmente, reveladores. Não agregam nada de novo em nossas vidas, mas nos deixam conscientes da vida como ela é. Essas tempestades nos despertam. Se você não compreender, pode enlouquecer – de fato. Mas se procurar aprender a dançar na chuva, com certeza se libertará. Abra o abraço, solte o braço, aperte o passo e deixe ir.

Você não está sozinha.

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